O Outubro Rosa é
uma campanha de conscientização realizada mundialmente no mês de outubro,
dirigida a sociedade e as mulheres sobre a importância da prevenção e do
diagnóstico precoce do câncer de mama.
O cancer de mama,
caracteriza-se por um crescimento rápido e desordenado de células, que adquirem
a capacidade de se multiplicar. Essas células tendem a ser muito agressivas e
incontroláveis, determinando a formação de tumores malignos (câncer) na mama.
Esta patologia apresenta-se como um grave problema de saúde pública em
todo o mundo. No Brasil, a incidência esperada para 2014 é, em média, de 56,09
para cada 100 mil mulheres.
A
terapêutica do câncer de mama envolve a quimioterapia, a cirurgia, a radioterapia,
a endocrinoterapia e a terapia-alvo. Os tratamentos podem se associar, a
depender das características tumorais e individuais da paciente, visando obter
maior sobrevida associada à melhor qualidade de vida.
Os tratamentos
cirúrgicos podem ser divididos em conservadores (quadrantectomia ou
setorectomia) e radicais (mastectomia). Quanto mais abrangente o procedimento
cirúrgico, tanto na mama, quanto na axila, maiores as chances de a paciente
desenvolver alguma complicação físico-funcional, principalmente no que
corresponde ao membro superior do mesmo lado da cirurgia, podendo ocorrer
limitações de movimento do ombro, perda de força muscular, comprometimento
postural e o linfedema.
O
primeiro sinal de complicação evidente após a cirurgia é a redução do movimento
do braço homolateral, seja por dor ou medo. Caso ela permaneça por tempo
prolongado, sem as devidas orientações de movimentação precoce, a articulação
do ombro pode ficar limitada, levando a uma perda de força muscular da cintura
escapular e do membro superior, já que estes músculos serão menos solicitados
pelo desuso. Assim, atividades diárias e tarefas simples do dia-a-dia poderão
ficar cada vez mais limitadas. Com o tempo, alterações posturais compensatórias
aparecerão e com elas, a dor e uma maior
restrição
de movimento, reiniciando um ciclo prejudicial, doloroso e restritivo, de
difícil conversão, o que pode reduzir a capacidade funcional e a qualidade de
vida.
Associado
a esses fatores, a redução dos movimentos do braço e consequente perda de força
muscular aumenta o risco de aparecimento do linfedema, já que as contrações
musculares fazem parte da prevenção e até do tratamento desta patologia. O
linfedema é um inchaço crônico, que pode ocorrer após a retirada dos linfonodos
axilares na cirurgia do câncer de mama, causando grande desconforto e
necessitando de tratamentos específicos baseados em drenagem linfática,
enfaixamento compressivo e exercícios.
Sabendo
que os movimentos e as contrações musculares são importantes para a prevenção
do linfedema e para a manutenção e/ou recuperação da força muscular e
funcionalidade, o treinamento muscular adequado torna-se essencial no
pós-operatório de câncer de mama, principalmente para aquelas mulheres que
fizeram a mastectomia, já que estas têm maior perda de tecido, o que pode
determinar aumento das chances de alterações musculares. A reabilitação para
ganho de força e movimento, direcionados pelo fisioterapeutaespecializado,
determina maior rapidez na recuperação pós-cirúrgica e retorno às atividades
diárias. As mulheres que fazem esse acompanhamento restabelecem o grau de força
que tinham antes da cirurgia, comparadas às pacientes que não o realizam.
Os
exercícios específicos para a amplitude articular do ombro podem ser iniciados
já no dia seguinte da operação, levando sempre em consideração o limite de cada
paciente e o tipo da cirurgia (principalmente se foi feito reconstrução). Já os
exercícios para ganho de força muscular podem ser inseridos após um mês da
cirurgia e necessitam abranger todos os movimentos de cintura escapular e
membro superior, principalmente os movimentos que englobam a articulação do
ombro, em especial para levantar, abrir e rodar internamente, que são os mais
acometidos pela fraqueza muscular. Portanto, atenção deve ser dada ao
fortalecimento dos músculos peitorais, que se envolvem com todos esses
movimentos. A carga (peso) deve ser individualizada, de acordo com a capacidade
atual da paciente, com a possibilidade de aumento progressivo no decorrer das
sessões.
Deste
modo, a recuperação da força muscular após a cirurgia de mama torna-se
importante para que a paciente restabeleça suas funções e atividades de vida
diária o mais breve possível, com desempenho adequado, sem dores e nem
compensações, sempre visando o alcance de uma excelente qualidade de vida.
Caroline
de Oliveira Marcon
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